Um tanto de sensação boa por mais que a incerteza insista em me beliscar. A possibilidade de uma construção, mesmo que antes tenha uma demolição, me é instigante. E não tem como não se animar com um lar feito a minha moda. Com comodos feitos do meu tamanho. Uma casa construida para eu deitar e rolar sem parecer boba. Com lugares próprios para todos os meus sonhos, loucuras e amores. Tudo o que me habita sem um teto. Um teto para tudo o que tem direito de ser habitado. Conforto de estar onde se quer estar. E não querer outro lugar. Ter uma casa para me aceitar nela. Mesmo com rachaduras, goteira e parede descascada. Uma casa com a minha cara com todos os meus defeitos. Lar simples para meu coração simples sem se culpar. Sem se culpar por não ser uma mansão. Sem se culpar por se permitir morar em mim. O meu mim tão estranho e indefinido que procura esse lar. Procura ter onde morar. E mesmo impaciente espera pela minha construção. A construção do meu lar.
Um tanto de sensação boa por mais que a incerteza insista em me beliscar. A possibilidade de uma construção, mesmo que antes tenha uma demolição, me é instigante. E não tem como não se animar com um lar feito a minha moda. Com comodos feitos do meu tamanho. Uma casa construida para eu deitar e rolar sem parecer boba. Com lugares próprios para todos os meus sonhos, loucuras e amores. Tudo o que me habita sem um teto. Um teto para tudo o que tem direito de ser habitado. Conforto de estar onde se quer estar. E não querer outro lugar. Ter uma casa para me aceitar nela. Mesmo com rachaduras, goteira e parede descascada. Uma casa com a minha cara com todos os meus defeitos. Lar simples para meu coração simples sem se culpar. Sem se culpar por não ser uma mansão. Sem se culpar por se permitir morar em mim. O meu mim tão estranho e indefinido que procura esse lar. Procura ter onde morar. E mesmo impaciente espera pela minha construção. A construção do meu lar.
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Doce melancolia. Tão solitário. Tão meu que dá vontade de me distribuir por ai para ver se pesa menos. Flutuo em um estado sem nome em minha terra de ninguém. Flutuo com todo o meu cuidado tentando não cair em qualquer abismo que deixei pra trás. Para não me deparar com dores que não pretendia sentir. Dores todas minhas e só minhas que me faz sentir tão só e dependente de algum ser vivo que finja qualquer compreensão. Um certo olhar que me dê a entender que estou sozinha nessa porque minha tarefa não cabe a mais ninguém e mesmo assim me faça sentir acompanhada. Uma companhia na solidão de cada um. Estou querendo companhia para onde não podem me acompanhar. Para onde só tem espaço para mim mesma. No meu lugar próprio que foi moldado a minha maneira. Caminhando com toda uma coragem que só pode ser arrancado do solo que me pertence. Com toda minha melancolia que sendo desejada ou não é minha única companhia que busco fora de mim. Minha companheira solidão.
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Só rindo mesmo. Mesmo me declarando brava, impaciente e frustrada, a gente dá risada. Toda uma graça sem graça que me faz rir mais tarde. E realmente sorrir é a melhor resposta para todas as minhas faltas de respostas. Por mais que meus sorrisos não se encaixem em todas as minhas perguntas vazias que possuem um leque de possibilidades que crio em minha cabeça. Eu sei que tudo não é possível. Assim como o nada. Eu sei que uma verdade não é quebrada em mil e uma alternativas que tento procurar em lugar nenhum. É que o nada está tão grande que tento ver em um tudo possível para mudar o que é igual. É só uma maneira de dizer a mesma coisa com expressões diferentes. Só crio um mesmo motivo para me revoltar. Metáforas sem um objeto real interno já estou querendo mandar pro inferno. É tão difícil não ver um caminhozinho que me faça ter esperança que por lá vou encontrar um não sei o quê. Sofrer sem saber porque se está sofrendo porque ainda é cedo. E eu dizia ainda é cedo. Não quero dizer. Minha falta de paciência está gritando que cedo é a última palavra que quero ouvir de mim mesma. Que coragem é essa que consegue mergulhar num mar profundo e voltar com falta de ar e sem conseguir enxergar qualquer lembrança de um breu sem fim. O meu pessimismo acha uma merda de coragem que não me trás nada. Uma merda de coragem que merece todos os sorrisos irônicos que posso dar por mais que não me sinta irônica ao sorrir. Mas agora a ironia seria a melhor maneira de debochar de toda essa historia que não consegue ser escrita. Sorrir para todos os meus “não sei” para talvez me sentir um pouco dona da situação. Sorrir para todas as sensações sem nomes para se ter um conforto que não anda existindo. Para ainda assim me sair por cima de tudo que me deixa pra baixo. Sorrir para continuar tentando. Tentando em meu nada, em meu tudo, em toda minha possibilidade sem possibilidade nenhuma.
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Pronto! Já foi acionado o desespero novamente. E ainda tem um sentimento frustrante achando que está pouco. Dá para entender? Está pouco! E pedindo mais. Não sei se quero provar dos meus limites, se é uma artimanha de autodestruição ou se realmente tem algo pedindo para ser descoberto. Ou tudo isso junto. Agora tudo parece ser possível e também inalcançável. Tudo parece um desvio falso. Fragmentos sem destinos e sem origens. Pedaços que não se juntam pela falta. Está faltando tudo aquilo que eu não sinto. Falta sentir vida. Quebrar toda essa minha apatia e indiferença por estar viva. Falta me sentir dona de mim. Me sentir responsável e me responsabilizar em ter mais. Mais cores, mais músicas, mais poesias. Mais beleza! Falta beleza. Flores, perfumes e violinos. E ainda continua faltando mais de algo. Preciso me libertar da onde eu me tranquei. Preciso cair ao ar livre, atravessar o inferno, me aterrorizar com os meus loucos e me libertar! Um pouco mais de qualquer liberdade que me faça caber melhor em mim. Um pouco mais de conforto interno por eu ser eu. Um pouco mais de alívio por saber que posso sentir. E para isso um pouco mais de vontade com toda paciência que é tão difícil ter para se chegar lá. O tal lá que é tão aqui. Será que está um pouco mais claro? Um desespero renovado? Desesperadamente estou querendo mais! Mais de um desespero acionado.
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Nunca tenho certeza de nada. Não sei o que sinto. Como posso ser tão convicta em dizer que sinto alguma coisa se nada é tão claro. Não tem verdades escancaradas. Não há certezas para serem declaradas. Eu não sei o que eu sinto!!!! Eu gostaria de dizer. Eu gostaria de saber. Mas como dizer? Como dizer se tudo passa por mim tão disfarçado? Tudo tão fraco. Numa falta de intensidade que me engana na sua existência. Não consigo ver nada intenso. Não consigo tocar no verdadeiro. Não consigo ter a tranquilidade de algo definido. Algo que me traga a certeza de que vive em mim. Não tem amor ou ódio. Tem o nada. Tem o morno. Tem o sem sal e sem açúcar. Nada é tão doce, nada é tão amargo. Não sei se é nada ou tudo. Qualquer extremo me parece um absurdo. Um absurdo tão grande que não caberia em mim. Sou tão pequena para qualquer coisa. Sou tão fraca para alguma fortaleza. Não me peça pra dizer o que eu não sinto na sua totalidade. Não haveria sinceridade se dissesse o que não consigo enxergar por inteiro. Só consigo dizer o que eu não sinto. E eu não sinto que eu sei. No momento apenas a dúvida é a mais certa das minhas sensações. A dúvida com toda sua angústia e desespero por não saber. A dúvida que é tão intensa, me contradizendo quando afirmo que não há intensidades.
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