Já estou escrevendo antes mesmo de me despedir. Oh dorzinha chata. Chata pela antecedencia e chata porque agora bateu a sensação que cada dia é uma despedida. Cada momento é um fim. E talvez com o fim, conseguimos parar para sentir o quanto o começo e o meio foram bons. Mas minhas antecedencias normalmente são maiores do que a realidade. Normalmente me surpreendo que não é tudo isso, que não é bem assim. Você sabe melhor do que eu da nossa tamanha capacidade de aumentar e diminuir, de inventar e se distrair, de se preocupar e tentar deixar pra lá. Quanta doidera. A palavra “doido” não anda saindo da minha boca. Tem sido minha melhor definição ou sensação para qualquer coisa.E o engraçado (que na verdade nunca tem graça) é que a gente se acomoda nas doideras e quase nunca percebe o quanto é doido. A gente se mergulha, se envolve, se deixa levar.. ou acho que se deixa tentar viver. Mas ainda penso, como é doido! Doido onde nós, seres humanos chegamos, e doido pelo o que penso que somos antes de termos chegado a qualquer lugar. O trânsito e poluição de São Paulo é doido, quando quem não tem carro se aperta cada vez mais dentro dos onibos lotados com problemas respiratório, assim como cada violência e prazer sádico que carregamos dentro de nós. A competição do mercado de trabalho é doido, quando precisamos de cada vez mais “pós do pós do pós da graduação”, assim como nossa vontade de que o outro falhe para nos sentirmos melhor. O captilalismo selvagem é doido com tantas consequencias desiguais, assim como se relacionar com alguém ou com nós mesmo é mais doido ainda. Somos uma selvageria? Vai saber o que somos, o que deixamos de ser e ainda mais o que queriamos ser. Para mim, sou doida! Com toda uma aparencia normal e social que tento ter.
Quase dou por fim nesse blog. Mas talvez alguns “fins” não sejam tão previsíveis assim. Mesmo quando a gente realmente quer um final. Já quis dar fim a tanta coisa que não consegui. Que na verdade eu não queria. Mas entre querer e não querer, não sei. Ando dizendo que está tudo bem para escrever alguma coisa. E sempre que começo escrever algo regularmente entro numa crise de que não me sinto mais tão adequada na escrita. Mesmo quando a escrita me é uma salvação quando não sei o que dizer. Nunca sei o que dizer. Talvez não sabia o que dizer porque eu odeio usar as palavras por usar. Odeio discursos que tem que ser ditos porque se tem esse dever de falar. Gosto de falas com sinceridades, falas de verdade. Não gosto de falas com politicagem. E assim muitas vezes eu me calo. Porque nem sempre eu consigo encontrar a minha sinceridade. Sou exigente com minhas verdades. Não gasto saliva ou minha escrita momentaneamente em crise para discursos que não me fazem sentir. No momento estou sentindo que está tudo bem. É aquele tudo bem que não engloba mesmo o tudo do bem. Mudanças vieram, mas ainda tenho a minha mesmisse. Medo, insegurança, angustia e solidão e uma cacetada de sentimentos que não conseguem ter nomes. Minha listas de medos só andam crescendo. Desde de medo de ficar cega até o medo de não encontrar os meus 10%. Acho até que esses 10% está um número grande pra raridade que são minhas amizades. Sempre achei isso cliche ou talvez sempre tentei fugir disso. Mas minhas amizades são dolorosamente fodas e nem um pouco fáceis de se encontrar. São raras pelas suas exclusividades. Adoro ter encontrado as pessoas que encontrei. E como a graduação já começa a ter um gostinho de fim, já que comecei falando dos meus fins, sinto também o sabor angustiante da perda. Eu digo pra essas amizades que ainda bem que vai doer. E mesmo me fazendo de forte, achando que tudo isso é assim mesmo num quase conformimos de que são coisas da vida. Só que doi pra caramba. Doi fundo mesmo. Ainda estou sensibilizada com perdas. Mas com uma certa experiencia consegui vivenciar uma perda saudável. Perdas que doem na mesma proporção de que tudo foi muito bom. Eu sei que não é legal antecipar sofrimento. Mas é que fins e perdas andam fazendo parte de mim no momento. O que aprendi é que, já que é pra perder que seja uma boa perda. Uma ótima perda. Não tem nada melhor que mesmo perdendo você ainda sente que ganhou muito no coração, ganhou muito em sua vida.
E no fim, ainda não perdi esse blog.
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Não sei como ando. Quando que eu sei alguma coisa? Sinto que não estou apegada a nada. Ou ao menos penso que os meus apegos são tão temporários que não me fazem sentir apegada. E para mim isso é tão ameaçador quanto excitante. Só me formo ano que vem, mas acho que poderia trabalhar do norte até o sul do país, do Canadá até o Japão. Me sinto livre para qualquer lugar com minhas raízes que ainda não conseguiram se fixar. E um dos meus medos é não conseguir me fixar, não ter um lugar para me sentir em casa. Mas mesmo assim a esperança é grande e a insegurança também. Sinto que estou em tempo mesmo em um mundo que não nós dá muito tempo. Tenho raiva desse mundo que nos quer pronto numa rapidez que não tenho. Tenho raiva desse mundo que não está nem aí para o meu jeito. Eu conheço um pouco melhor do meu jeito que tem que se adaptar. Eu sou mais devagar, mais atrapalhada e demando um tempo para me acostumar. Fico impressionada quanto que tem que ser bom em tudo. Tem que ser bom no falar, no escrever e principalmente no ser. Sou péssima para falar em público, sou muito melhor escrevendo. Mas mesmo escrevendo eu cometo muitos erros. Sempre escapei das aulas de gramática e sempre me importei mais com o que eu queria dizer. Sempre fui teimosa para algumas regras e jogo pedra em um mundo tão regrado. Seria mais gostoso eu ser eu com o meu bom senso. Mas mesmo teimosa eu vou aprendendo. E vou acreditando em um mundo que posso me apegar e encontrar o meu lugar.
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Sei que o que estava parado se mexeu. O que não se sentia passou a sentir. Preciso tanto de certezas e regras programadas que é difícil acreditar em qualquer coisa que não consigo visualizar e classificar. Não ando conseguindo ser na minha incerteza. É muito angustiante saber que não sei qualquer coisa sobre mim. O meu maldito controle está em tudo. Ao menos o meu controle sabe que estou sentindo o que não tem nome. E não é novidade sentir o que eu desconheço. Sentir a mim mesma de uma maneira que nem se pode definir. E demorou pra cair a ficha que é meu nome que anda sem denominação nenhuma. Sou eu esse mistério que dói tanto. Ainda que custa em acreditar em algo que chamo de coisa, há uma esperança muito grande em quaqluer coisa que possa me libertar. Tirar um peso de não sei aonde. Acho que sinto tanta raiva. Acho que não ando suportanto qualquer complexidade em mim mesma. Raiva de quem me inventou. Raiva por não saber se alguma coisa precisou ser inventada por alguém. Sinto minha cabeça tão limitada. Sinto tão pequena para grandes procuras. O mais desesperador é se desperar sem entender como e porque. É uma loucura tão grande que me faz sentir degosto, enjoo. Poder vomitar. O meu pessimismo adora tudo isso. Me sinto cansada sem o direito de estar cansada. Com o único direito de estar perdida. Estou perdida. Ando levando minhas sensações. Que poderiam me provar que tantos sentimentos angustiantes vem de algum lugar. De um lugar que é só meu. De um lugar que está mim. Perdida em mim.
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Eu sinto!!! Consegui alcançar o mundo e não ficar no ponto. Consegui encontrar um lugarzinho no meio da multidão. Consegui não ficar de fora pra ver o que pode me acontecer. Para sair da minha sensação de nada. Um nada que mesmo sendo nada me faz sentir angustiada. Uma angustia por medo do que sentir. Para não me arriscar. E me matar por dentro com uma morte que estou tentando encontrar vida. Minha vida atrapalhada, timida e sem graça. Um jeito todo de ser que não é fácil de ter. Um jeito que não é o melhor, muito menos o pior. É apenas o meu jeito de ser. Um apenas difícil de entender. Não sei o que o mundo espera de mim mesmo achando que não esperam o que sou. É um mundo que se transforma num mundo que é só meu. Eu que fico espiando pra fora e olhando pra dentro. Fora e dentro que nem dá mais prá saber o que está dentro e o que está fora. Nessa eu me encontro perdida por aí. Perdidinha mas querendo sentir. Querendo superar o que invento ser impossível. Ser o que se é, é totalmente possível por mais óbvio que isso seja. Só não é possível atender a todos os meus pedidos que nunca vão existir. Aqueles pedidos que não me fariam ser como sou. Toda uma cobrança auto-ignorante que me quer escondida dentro de mim. E estando por tras das minhas cortinas não posso me envolver. Se envolver é perigoso! Se envolver dá medo! E não me envolver trás toda uma apatia que cansava em ter. Tudo fica sem cor, nada respira. Um tudo e nada que dá na mesma coisa. Coisa tão coisa que não pode ter outro nome. Mas estou querendo me nomear. Nomes bonitos, nomes feios, um nome que me deram antes de saber se eu queria. Mas eu quero ser esse nome. Quero sentir que eu sinto. Já estou pegando o bonde. E não vou pedir pra descer antes de saber o que está sendo ser. O que está sendo entrar num mundo que pode me envolver se eu deixar ser envolvida. Só não posso me deixar pra trás. Não posso ficar parada enquanto todos passam por mim. Sem sentir.
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Me sentindo tão pequenina. Tão fraca. Com tanto medo. Não sei o quanto há do meu exagero. Só sei que não queria enfrentar nada. Queria mesmo é ficar no meu nada. No meu nada que tem um pouco de tudo. Quer dizer, um lado apenas. Aquele maldito lado que me chama de maldita o tempo todo. O que se dá por fraco, o que quer destruição, o que me quer caída no chão. Como pode me perturbar tanto? Como pode ser tão forte ao ponto de me dizer que não há capacidade como se tivesse como medi-la? Como pode me dizer que não vou conseguir antes de tentar? Antes de me arriscar! Como pode prever tudo de uma maneira tão sombria e triste? Como pode querer acabar com o que me mantêm para frente? Mas sei que tem momentos que esse lado se encaixa tão bem. Parece que tanto pessimismo foi feito exatamente pra mim. Parece que há um prazer negro desse lado bem encaixado nisso. Um lado que diz que não aguenta mais quando se aguenta. Um lado que zomba e não quer ser duvidado. E pior que eu duvido!!! Também há outra chama que duvida muito. Pode ser rebaixada mas se levanta. Também consegue mostrar sua cara. Também gosta de mostrar coragem e se dar por vencedora. Um lado que acha tudo isso uma bobeira e pensa que se auto-garante. Lado mais bonito de se ver e de sentir, que também dá um prazer mais adocicado por existir. Um lado que até consegue mais de minha preferência, pois consegue berrar por vida. Consegue mover meus pés quando se quer parar de andar. Dois lados que não querem perder. E uma briga dos infernos que não me deixa em paz. Um ringue interno pesado para se carregar. E a luta não pode parar. Otimismo contra pessimismo. Vida contra morte. Eu contra eu mesma.
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